Cultura

Netflix vai destinar R$ 5 milhões para Cinemateca reformar a sala Oscarito

(FOLHAPRESS) – A Netflix anunciou, em evento para jornalistas, que vai destinar R$ 5 milhões à Cinemateca Brasileira, que atualmente tenta captar R$ 30 milhões para reformar a sua sede, na Vila Clementino, na zona sul de São Paulo.

 

O aporte acontece por meio da Lei Rouanet, mecanismo em que empresas destinam parte de seu imposto de renda a projetos culturais. É a primeira vez que a empresa americana faz uso da lei.

“Esta iniciativa é um reconhecimento, por parte da Netflix, de uma corresponsabilidade. A Cinemateca tem parte de seu orçamento garantido pelo governo federal, mas tem necessidade de uma complementação via parcerias privadas. Estamos reconhecendo que temos papel nisso”, afirma Mariana Polidoro, diretora de políticas públicas da Netflix.

Os R$ 5 milhões vão ser somados a R$ 1 milhão de patrocínio do Itaú Unibanco e outros R$ 10 milhões que chegarão via BNDES, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social. A expectativa da diretoria da Cinemateca é que a exposição de agora encoraje outras empresas a destinarem recursos à reforma.

“Infelizmente a parte da preservação, no audiovisual, não é levada a sério. As pessoas acham que fazer cinema é pôr o filme na tela e acabou. Não, precisamos preservar a memória cinematográfica”, diz Maria Dora Mourão, diretora-geral da Cinemateca.

Nos planos da instituição estão a manutenção da fachada da sede, a adaptação do saguão principal, que precisa de um sistema de refrigeração, e a modernização do centro de documentação. O dinheiro da Netflix será usado para reformar a Oscarito, uma das duas salas de exibição da Cinemateca. Antes uma referência, o espaço ficou obsoleto, mas quer reconquistar o título.

A reforma inclui uma mudança na disposição dos assentos, novo sistema de projeção, novas poltronas, instalação de áudio Dolby Atmos e acessibilidade acima do previsto em lei, tendo como referência salas de cinema do Reino Unido.

Um edital para a contratação da empresa que fará a obra deve ser lançado assim que metade dos R$ 30 milhões forem captados, ainda neste ano. Não haverá contrapartidas para a entrada da Netflix na empreitada, como cessão de “naming rights” ou interferência na programação. O patrocínio está sendo feito nos moldes da Cinemateca Francesa.

Lá, o serviço desenvolveu uma relação complexa com o governo, protecionista em relação à sua indústria. O anúncio do patrocínio francês foi descrito pela imprensa, há dois anos, como uma “reviravolta”. No Brasil, o Congresso discute como vai regular os serviços de streaming estrangeiros.

“Ao valorizar o audiovisual, estamos inspirando novos criadores. Tudo o que podemos fazer pelo cinema brasileiro, nós fazemos. Tudo parte de um mesmo ecossistema, uma coisa retroalimenta a outra”, diz Elisabetta Zenatti, vice-presidente de conteúdo da Netflix no Brasil, ao ser questionada sobre as naturezas díspares entre seu modelo de negócio e o circuito de cinema tradicional.

Lar do maior acervo audiovisual da América do Sul, a Cinemateca está vinculada ao Ministério da Cultura e vem se reerguendo após anos de dificuldades financeiras. Durante a presidência de Jair Bolsonaro, a instituição foi sucateada pelo poder público e, sem verba para realizar manutenções e até mesmo pagar funcionários, viu um de seus galpões queimar num incêndio de grandes proporções há três anos.

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Fonte: Noticias ao Minuto Read More

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